CONTOS DE TERROR

A Porta do Outro Mundo

Ana Paula Vai te Contar uma História sobre a Porta do Outro Mundo.

CONTOS DE TERROR

A Porta do Outro Mundo

Ana Paula Vai te Contar uma História sobre a Porta do Outro Mundo.

01

Eu abri a porta do outro mundo! Eles me esperavam lá. Um forte cheiro de corpo em decomposição tomava conta do ambiente quando aqueles demônios se aproximavam de mim. Exatamente como eu imaginava em meus sonhos, com suas feições malignas, pele queimada, dentes pontiagudos e vermelhos escorrendo sangue.

Eu gritava com eles para se afastarem mas a minha voz não saía. Quanto mais eu me esforçava para não acreditar, mais forte o cheiro ficava e mais próximo das criaturas eu estava. Eram tantos demônios que eu não conseguia entender o que se passava. Eles sussurravam todos ao mesmo tempo palavras confusas.

De repente, meus olhos começaram a ficar brancos como uma tela de pintura, as imagens que passavam diante de meus olhos pareciam um filme esquisito de cinema, daqueles sem sentido. Eu via muitos corpos de animais, muitas moscas sobre as carcaças e um cachorro machucado e com os músculos da perna direita dilacerados. Ele abanava o rabo para mim e parecia familiar. Na hora me lembrei do Benji, um querido amigo que foi atropelado por um vizinho que dirigia bêbado.

Lembro de quando enterrei o Benji e também da última vez que o vi. Na esperança de ver que ele havia sobrevivido, desenterrei seu corpo 15 dias depois e ele estava em decomposição, aquele cheiro veio à minha mente. Era o mesmo que senti quando abri a porta do outro mundo.

Lembrei naquela hora que os pesadelos começaram justamente no dia em que desenterrei o Benji. Chamei o Benji para perto de mim. Ele, como sempre, veio abanando o rabinho ofegante de tanta felicidade. Quando estendi a mão para tocá-lo uma das criaturas gritou palavras que eu não entendi. O Benji, em minha frente, começa a rosnar estranhamente alto, não parecia meu amiguinho de criança. Ele abaixa a cabeça e levanta novamente.

Agora era uma criatura disforme com dentes enormes que avançava para cima de mim. Caí para trás, incrédula. A criatura tinha os mesmos machucados do Benji mas havia se transformado em um demônio de olhos vermelhos com íris verticais, como as cobras. Benji, ou seja lá no que ele tinha se transformado, não me alcançou quando tentou me morder. Agora estava sendo controlado por muitas criaturas sombrias através de uma corrente que ardia em chamas e iluminava parte do cômodo escuro onde eu estava.

Me levantei e perguntei o que estava acontecendo. Não obtive resposta! Comecei a gritar e as criaturas foram se afastando, inclusive o Benji, antes alvoroçado e bravo, agora colocava o rabo destroçado entre as pernas dilaceradas e voltava para o lado mais escuro do cômodo, enquanto as chamas da corrente se apagavam me deixando na mais completa escuridão.

02

Foi então que uma fumaça passou pelo meu pescoço e parecia falar comigo, uma voz bem de longe vinha se aproximando, enquanto meus olhos ia retomando a forma natural. Quando recuperei a visão, estava em um lugar que mais aprecia um castelo, com paredes grandes e teto bem alto. Não havia objetos à mostra, apenas um trono vermelho enorme em minha frente e iluminado por tochas presas em tripés de metal.

Uma criatura foi tomando um formato humanóide no trono e dois olhos vermelhos se abriram em meio a fumaça, cada vez mais densa e concentrada. A voz que eu ouvira era daquela fumaça ou seja lá o que fosse aquilo.

– O que está acontecendo? Por que eu estou aqui? Perguntei. – Você abriu a porta do outro mundo, uma vez aberta, você tem que fechar! Uma voz demoníaca e grossa respondeu. – Quando eu abri a porta que não me lembro? Questionei amedrontada.

O Demônio puxa uma corrente e a estala como um chicote. Num instante a corrente pega fogo e Benji aparece preso a ela, naquela forma enorme e diabólica novamente. Ele rosna para mim com aqueles dentes enormes e deita-se em frente ao trono para proteger a criatura de fumaça.

– Quando você enterrou o animal ele passou a ser propriedade minha! Como ousa desenterrá-lo? Acha que pode me roubar? Disse a voz com tom agressivo e indignado.

Assustada, eu penso em me desculpar mas, rapidamente, me vejo no escuro novamente. Quando alguma luz ilumina o ambiente, estou novamente naquele cômodo fétido que entrei quando atravessei a porta do outro mundo. As criaturas que me causaram pesadelos desde o dia que desenterrei o Benji estavam lá. Mas agora eu podia entender o que diziam, os demônios me acusavam de ter perturbado o sono eterno deles, quando abri a cova.

– Tudo que vem para baixo da terra é propriedade do demônio. Sussurraram as criaturas em coro!

Olhei para trás e não vi mais a porta por onde entrei. Tentei correr para qualquer lado mas parecia que eu não saía do lugar. Entendi que estava presa! Nada mais me restou a não ser obedecer a esses demônios para que me deixem dormir em paz. O combinado é perturbar os sonhos de outras pessoas, por isso estou aqui, pendurada no teto por uma corda. 

 Não olhe para trás!

 

Fim

Esta é uma Obra de Ficção qualquer semelhança de nomes, acontecimentos e lugares etc é mera coincidência. O Conteúdo Deste Post Pertence ao Autor e é Protegido pela Lei de Direitos Autorais.